Depois de três anos, o Blog Garotas.Complicadas está saindo do ar. Há quem diga que isso se deva ao fato de terem perdido a inspiração. Há outros que podem até dizer que elas não sabem ouvir uma crítica e não passam de cópias pouco originais de outros blogs. Há ainda aqueles que até achavam os textos legaizinhos, e que talvez sintam falta de nossas verborragias mal digitadas.
A única coisa que sei é que a vida é feita de fases. E essa é uma fase que se encerra. Para que outra possa começar. Do contrário, nossos filhos ainda assistiriam aos Tundercats e nós usaríamos calças boca de sino e plataformas.
Fica aqui o abraço aqueles que nos acompanharam nestes 3 anos e uma dica para aqueles que nos criticaram: Aprendam a fazer críticas construtivas. Do contrário, não leiam nossos textos, não nos importunem, não nos façam perder tempo com suas críticas vazias e providas apenas de hormônios adolescentes invejosos.
Para os amigos deixamos nossos outros trabalhos:
http://ww.fotolog.net/janeasher
http://tellherno.blogspot.com/
http://margaridasparanoicas.zip.net

ARVORE DE BONS FRUTOS
By Daia Holz
Engraçado como gostamos de fantasiar as situações... A amiga procura a outra (no caso eu), toda preocupada, querendo um conselho de amiga. Mas todo mundo sabe que eu sou péssima em dar conselhos, mas eu devia ser a única amiga que estava desocupada no momento, então resolvi ajudá-la.
A amiga pega um cigarro e acende meio trêmula. Pergunto se ela está nervosa com algo ou alguém, ou se existe algum psicopata atrás dela. Ela sorri.
- Mais ou menos. É o Carlinhos (comentário da autora - nossa que apelido horrível!) Sabe como é... foram três anos de namoro, e a gente ficou meio caseiro. Aí ele resolveu sair nesta quinta pra ver uma daquelas bandinhas das antigas...
Sim, estava armado o problema. O Gustavo (nossa, como esse nomes ficam horríveis quando escritos em um texto!) ia estar lá. O Gustavo era um carinha que ela tinha ficado e é meio Brutucu. E o Carlinhos é um cara meio ciumento. Se os dois se encontrassem daria briga. Não entre o Carlinhos e o Gustavo, mas entre o Carlinhos e a minha amiga. Pedi pra que ela se acalmasse. Era uma quinta feira, talvez ele nem fosse, sei lá. Sofrer por antecipação é tortura inútil.
No dia seguinte ela veio me contar como tinha sido a noite. O tal Gustavo fez questão de falar bem alto para que fosse notado e ela decidiu curtir a noite ao lado do seu “Carlinhos” pensando que talvez o tal brutucu nem lembrasse da noite que eles se conheceram. E afinal, o poeta estava errado... nem sempre é desconfortável rever um grande amor. Um tempo depois o Brutucu...digo o Gustavo foi em direção ao casal, cumprimentou primeiro o Carlinhos com um aperto de mão bem camarada, depois cumprimentou a amiga com dois beijinhos no rosto e voltou a conversar com Carlinhos, dando olhadinhas discretas para a Amiga, que fingiu não prestar atenção e continuou escutando a Etta James que a banda estava tocando. O Gustavo foi embora e ela pode se divertir com seu amor.
Eu, como má conselheira que sou, disse que ela foi uma idiota por fingir não estar prestando atenção. Se prestou a atenção é porque se sentiu afetada, e no fundo até queria que rolasse um stress. E talvez o poeta tenha razão sim dizendo que é ‘desconfortante rever um grande amor’... A amiga ficou braba comigo, foi embora e está sem falar comigo a algum temp. Mas tudo bem.
O que realmente é engraçado é que a gente espera algumas atitudes das pessoas e acaba se surpreendendo com elas. Mas no fundo a gente adora procurar sarna pra se coçar e acaba procurando perrengue mesmo. Meu vocabulário está muito chulo hoje. Deve ser a vontade de quebrar com estes conceitos pré-concebidos dos discursos intelectualóides. E não importa qual o tom do seu discurso, portanto que isso renda um bom porre ao lado da pessoa que a gente gosta.

Atitude, rapaz!!
por: Sílvia Beatriz.

Lá estavam Bárbara e Cecília conversando no mesmo bar em que a galera vai aos fins de semana para dançar e ouvir boa música. Felipe e seu amigo Arthur chegam para conversar com as meninas. Felipe é um cara elegante e com um bom papo, sempre azarando as pequenas de uma forma sutil. Apresenta Arthur para as meninas e sai para conversar com outras garotas deixando o amigo ali.
Arthur se encanta com Bárbara, mas ela demora a perceber o que Cecília percebeu desde o primeiro comentário do rapaz:
- Você se parece com a Becky do Sin City. Ela é realmente linda!!
Essa cantada foi o carro chefe para as outras, Bárbara se fazia de desentendida e depois de algum tempo conversando com o garoto foi para a pista dançar arrastando Cecília com ela. Arthur foi encontrar Felipe que estava aos beijos com uma garota. Não quis atrapalhar, deu meia volta e ficou dançando perto de Bárbara e olhando para pequena a noite toda, mas ela não dava a mínima bola para ele.
- Pô, Barb, o cara está te secando a noite toda, vai lá falar com ele.
- Eu não, guria. Não estou a fim. Vai lá você, oras!
- Eu?? Eu não, ele quer você, guria!
- Ah, ele que se dane! Eu quero ficar sozinha, sem nenhum cara no meu pé essa noite.
De repente chega a garota do Felipe e fala para Bárbara.
- Ei, aquele cara ali quer te dar um beijo – apontando para Arthur.
Bárbara embasbacada com o que acabara de ouvir, faz uma cara de desdém. A menina já se liga e volta para o lado de Felipe e Arthur.
- Ai, guria, que tipo desse cara. Pedir para uma guria vir aqui falar que ele quer ficar comigo? Acho que nem piazinhos de 12 anos fazem mais isso.
Depois de várias músicas, risadas e drinks acompanhando, Felipe chega novamente para conversar com as meninas. Bárbara conta o que o amigo dele fez e pergunta sobre sua garota.
- Ela saiu com o Arthur, mas foi melhor assim, ela é perigosa.
** continua
Caro leitor.
Peço a Licença Poética ao meu Querido Henfil e deixo algumas instruções para quem ler este texto:
- Onde encontra-se a data, no cabeçalho do texto, leia-se “Brasil, 20 de julho de
- Assim como, substituir o nome “Carlos Lacerda” por “ACM”
De resto o texto fica na íntegra.

Natal, 1º de junho de 1977
Mãe,
E nós nos enganamos, hein? A gente pensando que o Carlos Lacerda tinha morrido, mas quem morreu foi o outro.
O que nós conhecíamos continua vivo, não tem nada a ver com este que os jornais descreveram. Nas fotos se parecem, mas nas biografias é que a gente vê a diferença. Tenho certeza. Como poderia me enganar? Eu? Se foi ele quem, durante anos e anos e de maneira genial, me ensinou, ensinou a senhora, todas as famílias, que os comunas comiam criancinhas no almoço?
Me lembro bem de como, sugestionado por ele, eu passei a rezar não mais para Nossa Senhora de Fátima e seus arcanjos, mas para Tio Sam e seus mariners esmagarem a cabeça dos nacionalistas. Quantas meias-noites eu não gritei pela senhora com medo de que, como ele avisara, a canalha vermelha já tivesse separando mãe e filho?
Quantas gerações de mães, padres, professores, militares e políticos ele não orientou no combate aos subversivos? Hah, que alívio eu senti quando finalmente todos, inflamados pela sua pregação, fizeram a cruzada final que nos salvou dos sindicalistas, estudantes, lavradores, professores, jornalistas, enfim, tudo o que é vermelho.
Agora, esse que morreu eu não conheci, não. Fiquei conhecendo pela leitura dos jornais e passei a admirá-lo muito, mãe. Que democrata admirável era ele. E o que me impressiona é que um lutador liberal e humano de tantos e tantos anos tenha se mantido no anonimato. Ninguém no Brasil sabia que quem mais lutava pela democracia aqui era ele. Queria tanto tê-lo conhecido. E invejo muito estes editorialistas que deram seu depoimento, porque privaram deste segredo imenso.
A beção do seu filho,
Henfil
P.S. Reze preu falir, mãe. Aí eu compro um apartamento, carro, tudo pra senhora.
P.S. do P.S.da autora - e o Brasil. Realmente tem uma memória muito curta...
CONSUMISMO À LÀ GLOBALIZAÇÃO
Por Dai Holz

Acabei de ler um texto no Manual da Mulher superior, publicação da 02 Neurônio, que me deixou intrigada. Porque mulheres têm mania de comprar? Porque esse consumismo exacerbado? Seria algum gene feminino ainda desconhecido pelos cientistas? Ou somos simplesmente mulheres loucas e transtornadas que não podem ver uma loja com a faixa PROMOÇÃO!?!?!
Porque se existe uma loja com a placa PROMOÇÃO - seja lá qual for a sua mania, pode ser sapatos, bolsas, lenços, canetas, cadernos fofos ou material de construção – você já corre para ver se existe algo interessante. E pode ser a pior loja do mundo. Você sempre vai achar algo interessante. Mesmo que não seja assim tão interessante. Porque você vai olhar para aquela etiqueta com dois preços, cujo qual um deles estará riscado, e mesmo que não seja um objeto assim tão desejado, vai ter aquele pensamento “eu compro, depois resolvo...”
E, convenhamos, este é um pensamento tipicamente feminino. Ou você já viu seu marido ou seu pai, em frente a um cabide de loja, olhando duas blusas iguais de cores diferentes e pensando “ah, eu posso levar as duas... essa vai combinar com aquele sapato e essa com esse tênis”... É lógico que não. Primeiramente porque a maioria dos homens só compra roupa quando realmente precisam. Ao contrário das mulheres. Mesmo essa nova onda de metrossexuais, eles não saem por aí farejando placas de OFF 50%, PROMOÇÃO DE VERÃO ou LIQUIDA ESTOQUE.
Então, concordo com a conclusão do texto da Jô Hallack. Se é um gene feminino ou uma loucura, não sei. E se você aí estiver pensando: mas essa menina é uma fútil-louca-consumista. Bem, são pessoas como eu (isto é, 99% das mulheres) que movimentam a economia mundial.
PS – E os textos são inspirados também nessa overdose de Fashion Rios Weeks e diabos a quatro que invadiram a mídia neste mês de junho, fazendo com que as mulheres saíssem correndo para as lojas comprar as novas tendências da estação...
ESPECIAL: DIA DOS NAMORADOS!
Por Daia Holz
Dia dos namorados. Nós mulheres passamos algum tempo pensando no que dar de presente... O que ele está precisando, o que ele está querendo, será que ele vai gostar mais daquele Cd ou daquela camiseta? Mesmo quando não se trata de namorado, mas de alguém especial que está marcando nossas vidas, a gente pensa se poderia dar algo legal para o Garoto. E mesmo quando estamos completamente sem grana, damos um jeito de fazer alguma coisa, qualquer coisa!!! Uma serenata, um bilhetinho no espelho do banheiro, um Cd gravado no computador com as músicas que ele mais gosta... Nós, mulheres, no dia dos namorados, queremos mostrar para eles, homens, que eles são pessoas especiais em nossa vida, não só no dia dos namorados...
E não adianta vir com o papo de que dia dos namorados é ditado pela sociedade capitalista porque o Natal também é, e ninguém deixa de comprar presentes, e na Páscoa ninguém deixa de comprar chocolates. E além de tudo isso, o Dia dos Namorados surgiu da História de São Valentim, que 350 anos a.C., enquanto o Rei Claudius proibia casamento recrutando todos os jovens para a Guerra, ele, São Valentin realizava casamentos escondidos para os jovens apaixonados. E foi condenado a morte por isso. Antes de morrer, na prisão, os jovens o visitavam dizendo que “o amor a tudo vence” e que “o amor supera a morte” e todas essas baboseiras melosas. E morreu. Ou seja. Sim, o dia dos Namorados é uma celebração para pensarmos em quem a gente ama.
Então, garotos leitores de nosso Blog... Mesmo que você não tenha dinheiro, dê um grande beijo em sua namorada e tente fazer o dia dela mais feliz. Se você não tem namorada, apenas uma ficante, pelo menos mande uma mensagem dizendo que lembrou dela nesse dia. Se você é um cara podre de rico e pode enchê-la de presentes, surpreenda-a fazendo uma serenata desafinada. Ou mesmo apele para a baixaria e conte a história de São Valentim e diga que achou muito bonito e que resolveu, neste dia, dizer que ama sua menina de um jeito especial e que o amor de vocês pode superar tudo. Todos os peidos depois das feijoadas, todos os dias que ele vai te trocar pelo futebol, todas as toalhas molhadas deixadas em cima da cama, todas as unhas coradas em cima do Carpet...
Pelo menos ela vai dar boas risadas, te dar um beijo carinhoso e ficar feliz por você ter pensado nela nesse dia dos namorados!

CULTO AO CORPO_MÍDIA
(Ou como já dizia minha amiga Milene "são apenas padrões estéticos de beleza de uma mídia mofada...)
Por Daia Holz
Há uma ditadura da moda e beleza, um culto à padrões estéticos ditados pela mídia que não nos deixa em paz! E é absurdo os rituais de beleza a que uma mulher se sujeita, não porque isso lhe dá prazer, mas porque é uma obrigação! Isso não quer dizer que eu queira virar uma Hippie com o sovaco cabeludo e andar sem sutiã. Mas é deprimente acompanhar um São Paulo Fashion Week ou um São Paulo Fashion Rio e ver pessoas moderníssimas se estapeando para conseguir ver uma modelo magérrima e invejá-la.
Eu não invejo esses padrões. Principalmente, porque quando eu me arrumo, me arrumo porque quero. Se vou andar de bicicleta ou fazer exercícios, é porque sinto prazer nisso, e não porque sou obrigada a ser magérrima! Qual o problema de ter uma barriguinha e ser admirada mesmo assim? A Preta Gil Não pegou o Gianequini?!? E ela é menos bonita que uma modelo só por ser gordinha? Já ouvi homens dizendo que existem coisas para olhar e para pegar, e que gostam de mulheres com barriguinha para afundar a cara como num pão’! (E o engraçado foi que o autor da frase foi o namorado de uma amiga defendendo ela quando a gente disse que sua barriga parecia um pão...). Não estou aqui defendendo a obesidade, principalmente porque ela é uma doença e pode matar. Mas me insulta ver meninas morrendo de fome porque querem ser magras, anoréxicas, bulimicas... Somos o que somos. E quem é a mídia para nos impor quais os padrões para se ser bonita?
Bem, não estou querendo escrever textos feministas e nem querendo que mulheres voltem a queimar pilhas de sutiãs na rua (principalmente porque lingerie custa muito caro e eu adoro minhas calcinhas coloridas de algodão...) Também não estou batalhando pelas creches comunitárias, inclusive porque não tenho filhos. Mas uma mulher não pode ficar totalmente descontrol quando descobre que ganhou
O que a gente quer é ser mulher superior. Que leva "bolo" do namorado e consegue agir com total naturalidade, sem atacar uma de Gleen Close... Que tem mesmo cargo, mesma qualificação e mesmo salário que o babaca que trabalha no escritório. Que olha no espelho aquela barriguinha ou aquela espinha e que não quer se matar só por isso, mas que até gosta do que vê. E que tem um homem que lhe abraça logo em seguida dizendo ‘você está linda!’. O que queremos... sendo bem mais poética agora, é um amor magricela e feinho, ou gordinho e feinho... tanto faz... como nos poemas da Adélia Prado.
Eu quero um amor feinho e escondido, um amor que não medita, apenas beija e faz filhos. Um amor na varanda em dia de chuva, um amor que chora baixinho depois do gozo, de tão bom que é. Passeio sem graça num dia chato, leva pipoca pro cinema, dá ração pro cachorro, e vai dormir com um beijo na testa. Eu quero um mor assim. Pode até parecer chato, mas esse foi feito só pra mim...

O CAFAJESTE

Por: Sílvia Beatriz.
Só faltava colocar a parka e Gustavo estava pronto para mais uma noite de diversão no baile com seus amigos.
Cecília pegou a bolsa e saiu em direção à festa, Bárbara já estava a sua espera na porta do bar para entrarem juntas.
Gustavo era arrogante, sarcástico e tratava todas as garotas como sendo objetos para seu prazer, ele fazia muito sucesso entre as meninas. Elas vinham conversar com ele, ofereciam o drink que estavam tomando e dançavam perto dele. Como ele não era nada bobo, entrava no joguinho delas e elas gostavam, mas o rapaz só queria se divertir com elas.
Em uma das mesas do bar Cecília e Bárbara observavam as pessoas na pista de dança, Bárbara balançava as pernas ao ritmo da música do DJ e Cecília que tinha uma queda por Gustavo, ficava admirando-o dançando.
Bárbara estava louca para dançar, já havia chamado a amiga para irem à pista, mas Cecília queria ficar ali sentada observando Gustavo e relembrando dos seus beijos que já havia provado algumas vezes. Então começou a tocar “Liar Liar”, Bárbara não se agüentou, levantou e foi para a pista dançando e cantando com a música.
Gustavo saiu da pista para ir buscar uma cerveja no balcão e passou ao lado de Bárbara, cumprimentaram-se, ele sorriu para a pequena lhe falando algo em seu ouvido, mas a garota não entendeu a frase direito, mas mesmo assim sorriu e foi para o meio da pista.
Cecília decidiu levantar e fazer algo, parou atrás dele e cutucou em seu ombro. Ele virou-se com uma expressão de poucos amigos, mas assim que viu quem era a pessoa que havia lhe cutucado sorriu, deu um beijo no rosto da menina e pediu o isqueiro. Ela falou que não tinha isqueiro, então ele entregou seu. Ela acendeu o cigarro do rapaz, devolveu o isqueiro e foi até a pista encontrar a amiga que estava dançando sozinha, mas para Bárbara isso não tem importância. Ela parece nunca se importar com os outros, porém no fundo ela se importa muito com o que os outros pensam a seu respeito.
Já estava quase amanhecendo, as poucas pessoas que restavam no bar estavam loucas e alegres. Ninguém conseguia parar de dançar, o DJ já havia deixado no automático e estava na pista dançando. Gustavo se aproximava de Cecília, mas ela não lhe dava bola, ela não era como as outras meninas que não se importavam de serem usadas pelos rapazes. Gustavo a convidou para irem comer algo em algum lugar por ali perto, mas ela pegou o carro e foi para sua casa.
Gustavo foi para casa sozinho, tirou os sapatos e a parka pegou o telefone e ligou para Cecília pedindo para marcaram de irem ao cinema um outro dia.
Gustavo quer mudar, quer largar a vida de cafajeste e ele acredita que uma pequena como Cecília seria perfeita para isso.
*** imagem por Fabz [ http://www.flickr.com/photos/fabz ]
EU NASCI NA ÉPOCA ERRADA!!!
Por Dai Holz
Porque todo adolescente intelectualóide que se preze já pensou, em algum momento da sua tumultuada juventude: “Eu nasci na época errada!”. E é por causa desse pensamento que resolvi escrever esse texto. Na verdade por esse motivo e por outra coisa que aconteceu comigo essa semana.
Estou eu, a mexer no meu computador, abrindo arquivos antigos, jogando alguns péssimos textos fora, algumas fotos estranhas e de pessoas que eu nem vejo mais... essas coisas. Quando de repente, entre pastas de trabalhos da faculdade e poesias horríveis da época da adolescência, eu encontro gravado no meu computador um antigo CD do Júpiter Maçã.
Uma obra prima. Um remember da minha adolescência e da minha juventude, e da minha velhice também. Tá certo que eu tenho todas as músicas gravadas
Mas “A Sétima Efervecência”, trabalho independente do gaúcho Júpiter Maçã, foi a primeira música que realmente me fez chorar... Qualquer adolescente quando escutou Miss Lexotan 6mg: “Ela tem andando meio frígida, tem se preocupado com as coisas do coração. Ela teme intensamente que jamais conheça um carinha que vai comê-la estando apaixonado...”; mesmo sendo virgem, jurou que essa música foi feita pra você! Ou então “...quando você der para outro cara, lembre-se que alguém se masturba, alguém do outro lado da cidade, se sente em sintonia e pensa em você”.
E agora que eu estou planejando meu casamento, na frente do computador comecei a pensar em sair da cerimônia, tocando “Deixa eu andar na sua moto” dos Cascaveletes enquanto vamos em direção a porta, subimos numa lambreta e buzinando nos encaminhamos para a nossa festa de casamento, encher a cara ao som de Júpiter, Roberto, Relespública e outras músicas que fizeram parte da história do nosso relacionamento...
E escutando “Um lugar do Caralho” e “Querida Superhist” e viajando nessas músicas que marcaram a MINHA vida, penso que não importa se a sua adolescência foi escutando Guns n’ Rose ou Mettalica ou Rolling Stones ou Graforréia Xilarmônica. Porque você TEVE uma adolescência escutando boa música. Músicas que te faziam chorar, pensar ou gritar enquanto canta ao mesmo tempo “mas quando eu te visito pra tomar um chá, e a gente começa a falar, tudo fica claro na minha mente e a gente começa a trepar”.
Nossa... eu viajei demais... Tudo isso para contar o que aconteceu comigo... Bem, após esse remember diante do computador, no mesmo dia, resolvi levar a história da música com algum rock n’ roll para mostrar aos meus alunos e fazer uma reflexão em cima das críticas sociais através da música das gerações. Adolescentes do Ensino Médio Noturno, que tem discursos bem revoltados e são rebeldes sem causa como todo adolescente. Achei que eles fossem gostar.
Fiquei triste ao perceber que, quando eles crescerem, e forem fazer um Remember como eu fiz, vão lembrar de REBELDES, SANDY E JUNIOR, ou pior... vão lembrar de SIMPLE PLAN, JENIFFER LOPEZ ou EMINEN sem saber o que a música está dizendo. Sim... porque eu pedi para eles uma atividade envolvendo a música que eles consideram como “AQUELA MÚSICA”, a música da vida deles. E uma de minhas alunas perguntou se precisava saber a tradução...
A Miss Lexotan era feliz e nem sabia...

UM DIA DE CASAMENTO

Você recebe o convite de casamento. Seu queixo cai. Como é que pode!??! Aquele seu amigo completamente louco e bêbado vai casar. E na igreja! Finalmente alguém conseguiu controlar o fogo daquele cara. E você até se sente aliviada, porque a menina parece ser gente boa. Fez até ele mudar de religião!!!
Aí o seu susto passa e você se acostuma com a idéia de ir a um casamento. Compra um presente bacana, manda lavar aquele seu vestido de festa do dia da sua formatura (... ele ainda deve servir) e começa a pensar na festança boa.
Antigos amigos numa mesa lá no canto do restaurante, relembrando os velhos tempos, os velhos porres e bebedeiras e olhando para o cara vestido de pingüim, dando muita risada e terminando a frase com ‘ele é uma grande figura’ enquanto toma um gole da sua cerveja gelada que ele está pagando.
Mas ao chegar na festa você descobre que não tem cerveja. Porque a religião da moça não permite. E que o seu amigo, que foi o mais bêbado entre todos os bêbados também não bebe mais. E que a mãe do cara já está olhando torto para mesa onde você está sentada, que contém mais três ou quatro amigos que a mãe dele só deve ter visto bêbados na época da adolescência, e pensando no porquê o filhinho dela, que agora tomou jeito, convidou aqueles amigos da esbórnia.
E aí, você faz aquela social, janta, dá parabéns pro cara, deseja felicidades, foge das fotos e daquela parte de cortar a gravata e foge. Foge do casamento do seu amigo e ainda sai falando! E você olha para o seu namorado...talvez futuro marido... e pensa: Será que eu quero mesmo casar? Na igreja? De branco? Com toda aquela parafernalha chata? Com um monte de gente vestida do jeito que nunca se veste?!?! Ou é melhor fazer um churrascão, daqueles bem de pobre, com cerveja a vontade, um Roberto Carlos anos 70 rolando alto, todo mundo de chinelo havaianas, o sorriso solto, voltando bêbados pra casa, buzinando na hora de ir embora e comentando com as caronas no carro “ta aí um cara gente boa...”
Respeito o sonho feminino de um casamento a moda antiga. Mas se isso for uma vontade sua, e não uma pressão da sociedade. Também sei que é impossível agradar a todo mundo, principalmente na sua festa de casamento. Mas, pense bem... se a maioria dos convidados estiver bêbada, não vai nem lembrar!!!!
Não posso deixar passar em branco o aniversário da minha amiga Aninha...
Guria!!! Feliz aniversário!!!
bejos, abraços e sucesso!

QUEM BATE?!?...é o frio!
Por Daiana Holz
Ilustração: Fabs
Num frio tipicamente curitibano nos sentimos mais inspiradas. Tiramos o casaco do guarda-roupa (aquele terninho, aquele cachecol...). Nos sentimos mais bonitas, usamos uma maquiagem mais caprichada, um cabelo com cara de inverno, etc. E estamos em uma fase boa de nossas vidas. Depois de vários relacionamentos que não decolaram e de várias tentativas frustradas, finalmente, pela primeira vez em nossas vidas (de verdade) temos a certeza de que queremos ficar sozinhas. De que estamos bem sozinhas. Sim. E qual o problema nisso?!? Nenhum! Mas é nessa época, que não é uma época de solidão, mas sim uma época em que a nossa companhia nos basta, que as coisas mais estranhas podem acontecer.
Você está lá. Linda. Curtindo um belo livro sentada em um banco debaixo de uma árvore. Sozinha. Aí vem um cara, saído sei lá de onde e solta:
- Vamos das uma banda?
- Dar o quê?!?!
- Uma banda...
- Ah ta... dar uma banda... Pra quê?
- Sei lá... eu queria conversar com você.
- Ta bem...
Aí você vai. E o cara, que usa uma roupinha meio Bicho-grilo e um brinco de pena muuuuuito estranho... e começa a soltar aquele papo horrível
- Porque a complexidade das galáxias confunde-se com a metafísica quântica quando olhamos para elas, porque nós deveríamos abraçar o sol de uma maneira que... nossa... seu cabelo vermelho é muito bonito... eu queria muito te dar um beijo...
E você sai dando risada... O cara tirou você da sua proveitosa leitura... enrolou um papo muito cabeça durante duas horas pra dizer que queria um beijo... Pomba! Que falta de originalidade! E aí você volta para a sua leitura. Mas aparece outro cara, com outro papo, mas muito parecido e que também elogia o seu cabelo e diz que quer te beijar. Porque nesta época isso não acontece só uma vez... mas umas três! E você não quer ficar com ninguém! Quer ficar sozinha! Se o cara ainda fosse original, tudo bem. Se ele fosse sincero... tudo bem. E esse sincero pode até ser uma “ei gata, to afim de te levar pra cama... mas nada de compromisso sério, ok?”, quem sabe você até toparia, pelo simples fato de ter um cara sincero. Cafajeste, mas sincero. Nada desse papinho lenga-lenga de cabelos e olhares com o brilho das estrelas...
Definitivamente, melhor um cachorro cafajeste que queira esquentar seu pé por uma noite, do que um bicho-grilo que vai jogar um papo muito falso, tentar te comer e cinco minutos depois vai olhar e dizer... “pô... acho que os nossos astros não bateram... acho que me enganei... a gente não vai dar certo”...
Ps – Texto em homenagem a minha amiga Danielle que foi a inspiradora e protagonista desta história. Com certeza, uma autêntica Garota Complicada!!!
Do amargo então eu provei
** Fim.

...continuação Do amargo então eu provei
Por: Sílvia Beatriz.
Ficava com medo, pois podia estar equivocado, mas toda vez que se despediam ele ficava com vontade de ligar para ela, de poder vê-la mais um pouco. E como era decidido nas coisas que fazia, não ficava só na vontade. Como no dia em que foram a uma pastelaria nova no centro da cidade e depois Heitor foi levá-la até o ponto de ônibus. Andando e conversando sem parar sobre qualquer coisa que viesse à mente dos dois. E por mais besteiras que fossem os assuntos, havia sempre diálogo, nenhum dos dois ficava falando sozinho. E depois que ela embarcou no ônibus ele pegou o celular e ligou para ela. Conversaram papo-furado o percurso todo do centro da cidade até a casa da pequena.
Julia começou a desconfiar de Heitor, porque ele nunca foi tão grude assim com ela e suas amigas já lhe haviam comentado sobre como os olhinhos de Heitor brilhavam quando viam a garota. Ela ficava com medo que podia estar despertando no rapaz sentimentos que ela não podia retribuir, pois via Heitor como um amigo e era isso que ela queria que ele continuasse sendo.
Julia precisava pensar no que estava acontecendo. Mas com ele no seu pé ela não conseguiria. Então bolou uma estratégia: ficou off line no messenger,. não respondeu os scraps de ninguém no Orkut e desligou o celular. No final do dia ainda não sabia o que pensar nem como agir, mas não podia fugir para sempre, mesmo porque ela não agüentava ficar sem celular nem conectar o MSN normalmente. Assim que a pequena ligou o celular haviam seis ligações perdidas do mesmo número, era de Heitor. E logo tocou novamente. Ela atendeu e pediu para ele não ligar tantas vezes assim, pois a estava sufocando. Desolado, Heitor desligou o telefone.
Orgulhoso do jeito como era não iria mesmo ligar para Julia, mesmo morrendo de vontade de conversar com ela. Três minutos depois que desligou o telefone Julia se deu conta da besteira que havia feito.
Dois dias depois com saudades de conversar e de ver o rapaz telefonou para ele.
- Oi, querido!
- Oi, tudo bem, Ju?
- Não muito bem.
- Ué? O que aconteceu?
- Não faça mais isso comigo!
- Isso o que?
- Ficar dias sem me ligar como fez.
** Fim.
"Wrong Number"
Do amargo então eu provei
Por: Cibelle Gaidus
Heitor era um cara extrovertido e elegante. Era do tipo que sem precisar fazer muito esforço, tinha a garota que quisesse aos seus pés.
Julia era uma garota tímida, sonhadora e estava sempre a procura de um grande amor.
Às vezes, nos finais da tarde, os dois se encontravam em um café próximo ao museu. Passavam algum tempo conversando e nada além disto.
Eles já eram amigos há um bom tempo e sabiam muito um da vida do outro. Heitor costumava dar conselhos sobre relacionamentos para Julia, que o adorava ouvir contando sobre suas aventuras amorosas. Ela achava que ouvindo as histórias dele, poderia entender um pouco mais sobre homens, o que nunca acontecia.
Com o tempo, os encontros passaram a se tornar mais freqüentes. Para Julia era tudo muito normal, pois Heitor era um grande amigo e uma ótima companhia. Agora Heitor, estava se sentindo cada vez mais confuso.
Ele já não enxergava Julia apenas como uma amiga. Ela estava afetando ele de uma maneira diferente, de uma maneira que ele nunca havia imaginado.
continua...
"London Luau" - Shag